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Inefinépcia’ na Inovação

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Se o título causou estranhamento, saiba que a primeira palavra do título é
uma ‘inovação’: acabei de inventá-la para escrever este artigo! E neste
momento, uma busca por ela no Google não retorna qualquer resultado. Esta
‘quase’ palavra resulta da combinação de ‘ineficiência’, ‘Finep’ e
inépcia’. Quer saber mais? Continue lendo.

Desde o final do governo FHC, iniciou-se um processo de criação de leis que
permitissem incentivar as empresas a desenvolver produtos e serviços
inovadores. Esse processo teve continuidade no governo Lula, com a aprovação
da ‘Lei do Bem’, da ‘Lei da Inovação’ e, finalmente, com a instituição de um
programa de subvenção econômica à inovação nas empresas, por parte do
governo federal.

O órgão encarregado de gerenciar este processo foi a Finep – Financiadora de
Estudos e Projetos, que realizou a primeira chamada de projetos empresariais
no final de 2006. Talvez pelo descohecimento do processo pelas empresas, nem
essa chamada, nem a de 2007 acabaram usando todos os recursos disponíveis.
Outra crítica feita na época foi o pouco tempo (apenas 30 dias) concedido
para a apresentação dos projetos, prazo este estendido posteriormente para
três meses.

O valor mínimo dos projetos também foi sendo diminuído gradualmente,
tornando o processo mais acessível às pequenas e médias empresas.

Assim, em 2008, pela primeira vez a demanda de subvenção econômica à
inovação gerada pelas empresas superou a oferta do governo, que naquele ano
foi de 450 milhões de reais. A partir daí, a demanda só foi crescendo.

Enquanto isso, o governo Lula foi chegando ao fim, e acabou concretizando a
chamada referente ao ano de 2010 somente no fim daquele ano, após as
eleições presidenciais.

Com o início do governo Dilma, a Finep ganhou um novo presidente. As
promessas da posse apontavam na direção de dinamizar ainda mais este
processo de apoio à inovação nas empresas.

A Finep também foi encarregada pelo governo federal de gerenciar as verbas
para os projetos Iberoeka, projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação
de empresas brasileiras em cooperação com ao menos uma empresa de outro país
ibero-americano.

Na Espanha, por exemplo, a chamada de projetos Iberoeka (gerida lá pelo CDTI
– Centro para el Desarrollo Tecnológico Industrial, órgão do Ministério da
Economia e Competitividade), é permanente: as empresas podem apresentar seus
projetos de inovação a qualquer momento. Já no Brasil, os projetos Iberoeka
foram submetidos ao mesmo ritmo dos projetos destinados à subvenção
econômica, com base anual.

Para completar a frustração do ambiente empreendedor, desde o início do
governo Dilma, não houve nem uma nova chamada sequer: o resultado da chamada
de subvenção de 2010 foi publicado somente no final de 2011, e com os prazos
legais para a interposição de recursos legais, a liberação das parcelas para
as empresas ainda está em fase inicial.

Resumindo, os projetos de inovação criados em meados de 2010, terão seu
desenvolvimento iniciado, se não houver mais imprevistos, ao longo de 2012,
e ficarão prontos nos anos subsequentes.

Sendo o Brasil apenas um dentre muitos países que apostaram na inovação
empresarial, é óbvio que o esforço das empresas nacionais está condenado ao
insucesso comercial: as boas idéias brotam, na maioria das vezes, em muitos
lugares ao mesmo tempo; e acaba bem sucedida comercial­mente aquela empresa
que chega primeiro ao mercado com o produto inovador. Ciclos de três anos ou
mais são um atestado de óbito para qualquer inovação.

Mais, a situação tornou-se tão aguda que nos leva a uma situação de vergonha
a cada vez que, na condição de representantes empresariais do país no
Exterior, acabamos enfrentando este tema em foros internacionais de
cooperação tecnológica.

Por isso é absolutamente necessário que esta situação seja corrigida
urgentemente: esperamos que a ineficácia da gestão do governo federal, no
aspecto aqui descrito, caminhe para a eficácia, e não para a inépcia.
Somente desta forma as empresas brasileiras poderão participar em pé de
igualdade com a cruel competição global.

*      Roberto Carlos Mayer é diretor da MBI (http://www.mbi.com.br),
vice-presidente de Relações Públicas da Assespro Nacional e presidente da
ALETI (Federação das Entidades de TI da América Latina, Caribe, Portugal e
Espanha).








nbpress(Ana Claudia Mendes)
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